04 Julho 2008

Eros

Chegas nas madrugadas frias,
de face oculta.
Esse cruel espelho embaciado,
reflectindo,
exibindo uma possível metáfora.

Ocupas-me os pensamentos,
fiéis devoradores da minha essência,
em constante busca de respostas
por esta tão fatal atracção.

Despes-me a alma em versos,
de noite e de emoção.
E eu revelo-me, encantado,
às tuas possíveis facetas.

Chamo-te, possível Eros,
de noite e face oculta.
De desejos proibidos
e revoltas asas que batem.

Eu conheço bem as tuas palavras,
que ceifam o amor dos meus lábios.
Mas ignoro o teu olhar
e desconheço a tua voz.

Procuras-me por entre o silêncio
e, no silêncio, te observo,
despindo-te de coração e chama,
revelando essa alma que inflama.

E estes fluxos de almas e letras,
fundo-me contigo,
na tua presença ausente.
Estímulos de poesias.

Encontrei-te nas madrugadas frias,
enquanto me observas em silêncio,
atraído pela minha alma despida.
E entre nós o vazio, o abismo
de uma face oculta em metáforas e palavras.
E alma e letras.

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