Mostra-me a saída da tua cabeça.
Faz-me aproximar e engasgar os meus pensamentos,
mais perto e perto e mais simples e simples.
No fundo eu sou um inútil.
Já não suporto isto.
Odeio-te. Detesto-te.
Já não suporto isto.
Liberta-me desta carne, desta prisão,
não consigo encontrar o caminho dos meus sonhos,
resta-me algo maior
guardado na minha alma com fúria.
Encrostado,
como o sangue da minha garganta.
Carmim.
Casaco de morte falhada.
Odeio-te.
A minha mente lasca-se para fora
com um grito silencioso,
uma goiva escalpa a minha face,
chorando de frio.
Consigo saborear a gota escavando a tua bochecha,
salina, contém a minha sede de sangue...
Liberta-me destes grilhões
que repousam sobre as minha coluna.
E não alcanço algo distante.
Gritas e lanças-me para fora da minha realidade.
Sólido e branco,
estou a ser chamado para o desrespeito,
para a minha extinção...
Tenho que perfurar a pele em que estou preso.
A minha ascenção é travada pela minha apatia.
Enterrado debaixo de ti...
A utilidade desta carcaça
não foi o suficiente para isso.
Não presto...
Não consigo erguer a minha montanha...
Ainda estou frenético demais para erguer.
24 junho 2007
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