15 agosto 2010

Fim do blog

Devido a recentes actividades ilícitas de certas pessoas da Internet, sou forçado a terminar este blog e a retirar todos os meus poemas da net.

Se há coisa que não consigo suportar, é roubo. Aparentemente andava um fulano qualquer no hi5 a publicar poemas meus dizendo que era da autoria dele. Consigo ser bastante flexível em relação aos meus poemas, afinal fui eu quem os postou. Mas exijo que, caso alguém goste de algum deles e os queira publicar, que me dê crédito por lê-los feito. Por isso, irei fechar este blog. Irei retirar os meus poemas e irei iniciar um blog bloqueado ao público.

Se alguém pretende continuar a ler os meus poemas pode enviar-me um email para armspt@gmail.com para conseguirem o acesso. Será necessário Nome (ou nick) e email.

Obrigado por terem-me acompanhado nestes pecados e verão que haverão mais pedaços de pecados pela frente.

Nota - O email não é o meu email pessoal e, por causa disso, não o vejo todos os dias. Por isso, dêem-me uns dias para vos responder.

05 julho 2009

145. Solidão

Consegues ouvir-me a falar?
Consegus ouvir-me gritar,
neste silêncio que rebombeia na minha mente,
pulsando dentro do meu sangue,
enfraquecendo-me,
lentamente?
Consegues ouvir-me?
Consegues
ouvir

me?

Estar contigo
apenas piora a minha solidão.

Pedes para me acalmar.
Pedes para eu respirar.
Como?
"Respira fundo.
Basta respirar fundo."

Só que já não quero respirar,
jamais.
Quero apenas dissolver-me
no pulsar e rebombear
da minha solidão.

30 junho 2009

144. Preguiça

Lento,
como o pingar das gotas de água.
Vazio,
como a alma que me carrega.

Deslizando,
escorregando,
caindo,
eu tenho nada.
Agarro-me em nada.
Não tenho paixão,
não tenho visão,
não tenho propósito.

Aqui chamam-me de preguiça.

23 junho 2009

143. A tua pele adora o som

Encosta um espelho à tua pele...
Encosta a tua mão à minha face.

A Terra irá esquecer-nos.
Iremos perder a nossa respiração,
expandindo e explodindo,
em tons de azul, branco e verde.
Iremos esquecer tudo algures
nos locais onde os nossos pés já estiveram.
Os locais que se transfiguraram
da realidade para o canto da nossa memória.
Pressionando-te mais forte e profundo contra mim,
nervoso sob o meu toque - também iremos ser esquecidos.

Eu sei.

Tu irás esquecer-me.
Irás tocar nas minhas costas,
irás inclinar-te para trás e irás cair.
Não te irás lembrar de mim quando acordares.
És um monstro...
E os monstros têm mentes bonitas,
onde me irei perder nas florestas, colinas e desertos da tua mente.
És um monstro
e os monstros são demasiado bonitos,
demasiado assustadores para o mundo onde vivem.
Tu és um monstro e eu sou um monstro,
e tu irás esquecer-me e eu irei perder-me.

Eu sei. Desculpa.

O futuro que me prometeste...
Está embebido por debaixo da tua pele.
Um destino esperado,
uma perspectiva prometida.
Dizes que terei rosas,
caindo dos teus cabelos como se tivessem nascido aí.
Dizes que não haverá sangue,
que tu serás o fruto, sangrando sumo de um corte de papel.
Dizes que terei sorrisos,
gozando com esses lábios como sonhos
que descobriste nas palmas das tuas mãos.
O futuro é a tua prenda, o teu romance, a tua vida.

O passado não faz essa promessa.
Ele deita-se na tua cama
e traça os seus dedos sobre os teus ombros
e descansa a sua face sobre o teu pescoço
e pede-te para chorares, só um pouco.
Quando o puxas para o lado
ele deita-se no canto
e enfia a cabeça entre as pernas
para vomitar escuridão,
onde gatinha silenciosamente para dentro da tua cama
e o abraças sem que dês conta,
e ele beija-te com os seus lábios selados
e sujos de palavras vis
que surgiram nos teus pesadelos de criança,
de rejeições e mortes.
E depois acordas com ele a afagar-te o cabelo.
E tens lágrimas na tua almofada.

O passado é a tua morte,
beijando o teu ouvido quando não dás conta,
mordendo na cartilagem da tua pele.

Olha para baixo, para o presente.
Agarra-o por entre os dedos e aperta-o.
Repara no visco rosa e violeta.
Estava à tua espera.
Deixa-o entrar.

Tu irás esquecer-me.
O que é que isso faz de mim?
Mais um nome numa lista?
Um número cravado na tua palma,
por entre linhas de coração e linhas de vida,
e a minha vitalidade o meu futuro e todos os que amarei,
alguma vez,
todos o que me espezinham?
Que são eles para ti?
Cabelos nas tuas sobrancelhas?
Dedos nos teus lábios?

Que tipo de pessoa és tu afinal?
O que esperas de mim afinal?

16 janeiro 2009

142. Quase beijo










Olho-te nos olhos,
perdido por entre os tons de cor,
mergulhado no brilho do teu olhar.
E tudo à volta torna-se indistinto
numa mancha de cores misturadas
de aguarela e luz.
É tão fácil perder-me no teu olhar.
Tão fácil render-me aos teus abraços.

Tu não me deixas beijar-te...
E ficamos neste quase beijo
que nem avança nem retrai.
Aqui, a milímetros um do outro
e, ao mesmo tempo, tão afastados.

Aqui, neste quase beijo,
perdido no teu olhar e rendido ao teu abraço.
Esperando que o tempo pare.

- Foto, "Kiss me to death 2" by Yaoisy

04 novembro 2008

141. Há algo...

Há algo nos teus olhos que me fazem sentir do tamanho de um grão,
há algo no teu sorriso que me fazem sentir como o centro da galáxia.
Há algo nos teus abraços que me revitalizam e
há algo nos teus beijos que me extinguem... repetidamente.

E, se houvesse forma de eu saber como te dizer tudo o que sinto,
nem que fosse apenas uma pequena parte,
não os usaria.

Porque tudo o que sinto e tudo o que te quero dizer,
são ditos nos silêncios dos meus sorrisos
e nos arrepios da minha pele.

01 outubro 2008

140. Tenta-me


Ofegante. A tua respiração.
Húmida
Quente
As gotas frias do teu suor sobre a minha pele quente.
O bater do teu coração,
ecoando sobre o meu peito.
Sussurras nos meus ouvidos
pequenas palavras quebradas.
Vê as gotas frias no meu corpo,
os arrepios.
Os pelos da minha pele cheias de electricidade,
e a tua pele encostada à minha.
Chocas e trepidas.

Moves-te por cima de mim como uma esfera,
prometendo o paraíso,
prometendo as estrelas.

E, enquanto as tuas gotas se fundem em mim,
entrego-me, uma vez e mais outra,
e outra ainda,
aos pecados deliciosos dos teus beijos.

Permanece aí, como uma gota que se recusa a cair,
e brinca com a minha tentação.
Aí, a segundos de mim,
a uma distância eternamente próxima
e incomensuravelmente distante.
Tenta-me. Testa-me. Usa-me. Ama-me.
Ama-me.

22 julho 2008

139. A dor a que me habituei


Solidão..., by Mar de Sonhos (Olhares)

Já não sei se procuro, se me perco.
Apenas sei que não me satisfaço.
Ansiando por algo que troça de mim,
longe de qualquer alcance. Tu.
Ou alguém, alguma coisa. Algo.

O silêncio que me rodeia como uma redoma,
bloqueando os sons, os cheiros, o ar.
Respiro o ar contaminado do meu próprio ser,
corrompendo mais a minha alma.
Lamentando por algo que ainda não aconteceu,
como se isso fosse resolver tudo.

Esta solidão que me abraça e envolve,
e que me cravava lâminas aguçadas no coração,
apenas embala o meu ser,
e a dor a que me habituei.

12 maio 2008

138. Esperando


Esperando.
Aqui.
Em total ausência de som.
Durante horas.

Na luz
e na ausência dela.

Esperando.
Em silêncio.

Esperando.

Foto: Continuo à tua espera.., by Catarina Gaspar (Olhares)

25 abril 2008

137. Luar (nível 2) - Frágil

Um simples beijo teu.
Fugidio,
frágil,
tímido
e... segundos.
Beijando a tua pele,
libertando o anjo que há em ti,
num abraço.
Casulo.
Frágil,
como o teu sorriso.

Frágil, como tu,
como eu, infinitamente.
Frágil
como os segundos que nos separam,
como os olhares que trocamos.
Deixando os segundos olhares para trás.

E é numa entrega dos teus beijos
que deixo conhecer o quão frágil sou...

136. Repara

Repara em mim.
Olha-me,
que seja por um segundo.
Quero que repares em mim,
que me vejas,
que me sintas.
Quero que me olhes nos olhos
e saibas o que sinto por ti.

21 abril 2008

135. Contigo

Contigo estive só e fui só...
E fui abandonado.
Na minha mente, no meu coração,
alcancei os portões que não poderia ter alcançado.
E passei.
E dei tudo o que prometia dar.
Amor - meu falso amigo -
nem poderia sonhar em conquistar-te.

Como fui ingénuo
em pensar que resolveria tudo.
Não encontro amor aqui (contigo)
apenas aquele medo em mim.

E, se voltarei a estar arrependido?
E pensas mesmo que poderemos ser amigos?
Verias as respostas nos meus olhos,
se algum dia havias tê-los visto.
Consigo ver para além das tuas mentiras
e vislumbrar a verdade...

Atinge-te como um tiro?

Morde a bala e beija-a então.
O teu coração sentiu-a antes que o meu.
Os teus pensamentos escorregam na tua face,
caindo em gotas sobre as poças a teus pés.
Eu agora estou longe, estando perto!

Como te sentes agora?
Só? Abandonado?
E mais agora?
O tempo passa e esgota.

Ouve as tuas mentiras...
Descobrirás que tens apenas medo de ti mesmo.

134. Poema das 3 da manhã.

Sento-me ali no canto,
naquele sofá que descansa,
mole, junto à parede.

Dormes tão calmo,
no meio dessa cama,
sob o olhar lunar,
sob banhos de prata e pérola.

Consigo ouvir-te respirar,
quase que sinto a tua pele,
esse perfume do teu corpo,
o calor da tua pele encostada à minha.
E dormes tão frágil.
E eu, neste momento secreto,
nesta admiração.

Contorces e mexes-te, sonhando.
Tocas os lábios na almofada e acaricias os lençóis.

E eu admirando aqui,
neste sofá sozinho contigo,
até o Sol terminar este momento,
aqui, esta noite.

133. Quarto branco colorido

Uma ilusão de felicidade traz
um tímido sorriso à minha cara.
Sentindo-me claustrofóbico
por toda a minha vida,
pelo vazio deste quarto branco colorido.
Esmagado pelo peso da solidão
sobre a minha alma
que grita, afónica,
até aos confins da minha memória.

Ecos...
Vozes de sombras na minha mente.
A estática da realidade gravada sob as minhas pálpebras.
Murmura-me a minha dor.
Grita-me a minha solidão.
Ecoa-me as tuas mentiras.
Faz-me sentir paranóico.
Faz-me enlouquecer neste quarto,
e prende-me a alma.

E, enquanto escorrego de volta à minha mente,
arrastando as sombras frias dos meus pensamentos,
as minhas memórias extinguem-se.

Eu, já não sou eu!

132. - Aproxima-te


Deixa-me sussurrar ao teu ouvido...

...as silenciosas palavras do meu amor.

14 abril 2008

131. Luar (nível 1) - Enquanto lençóis colidem

A queda de um anjo.
Lentamente. Chama-me,
como uma pétala sobre água,
o teu corpo sobre o lençol.

E enquanto lençóis colidem,
o teu corpo banhado no luar,
visão de suster a respiração.
Sem medo, sem nome, sem tempo.

Para além.

O silêncio do som
e a cor dos teus olhos.
Os sons dos teus suspiros
e o calor do teu corpo junto ao meu.

Flui e afunda - a tua alma em mim.
E derrete nos meus braços
sem nada para além de nós
até que a noite dê lugar à luz.

O silêncio do som e a cor dos teus olhos,
o som dos meus pensamentos
e os meus pensamentos na tua pele.

10 abril 2008

130. (sem título)

Perco a minha sanidade e amor-próprio

Apenas para acalmar a minha solidão.

Não consegui aguentar tanta dor,

Choro como mais ninguém chora.

129. Onde dói mais

Deixa-me tocar-te onde dói mais.
Deixa-me espetar esta facada nas tuas costas.
Rodar a lâmina fria e ver-te contorcer.
Deixa-me cravar pregos na tua alma,
roubar esse teu sorriso,
destruir essa tua esperança.
Deixa-me usar-te, abusar-te
e arrastar-te pelo chão.

Deixa-me apenas tratar-te
da forma como me tens tratado!

128. Presença

Tentando agarrar a uma presença que não existe.
Dor de cabeça...
Uma lâmina que choro e que me corta a face,
o coração em sangue morno.
Uma dor de cabeça...

O que é isto no meu coração?
Porque não consigo o tirar?
Porquê?

O teu nome ecoa na minha mente.
Confundindo-me e...
Porque não ficaste aqui comigo?

127. Aqui é onde tudo cai


Sentado no canto, choro de novo,
Só, na minha mente. Sempre foi assim.

Cego para a dor e atordoado para o fim,
Ainda sou criança mas sinto-me idoso.

3, 2, 1 - outro segundo que passa,
e um segundo mais perto do último.

Olho pela janela. Outro belo dia.
Mas só de relance - também não mereço isso.

E lembro-me de como o dia me fazia sorrir enquanto triste.
E agora apenas me recordo daquilo que nunca tive.

Não me lembro de como aqui cheguei nem como começou.
Apenas sei que é aqui onde tudo cai.